Ana Frank


Mapa da violência 2012 Homicídio de Mulheres no Brasil.


 

O último Relatório Sobre o Peso Mundial da Violência Armada dedica o quarto capítulo  a nosso tema, sob o título Quando a vítima é uma mulher, arrolando e analisando dados  internacionais, que corroboram as análises até aqui desenvolvidas. Conclui o Relatório:

•      os feminicídios geralmente acontecem na esfera doméstica. Em nosso caso, verificamos  que em 68,8% dos atendimentos a mulheres vítimas de violência, a agressão aconteceu na residência da vítima;

•      em pouco menos da metade dos casos, o perpetrador é o parceiro ou ex-parceiro da

mulher. No país, foi possível verificar que 42,5% do total de agressões contra a mulher

enquadram-se nessa situação. Mas ainda, se tomarmos a faixa dos 20 aos 49 anos, acima

de 65% das agressões tiveram autoria do parceiro ou do ex. Se compartilhamos muitas das características das agressões contra as mulheres  que encontramos em outros países do mundo, nossa situação apresenta diversos sinais que  evidenciam a complexidade do problema nacional:

•      entre os 84 países do mundo que conseguimos dados a partir do sistema de estatísticas  da OMS o Brasil, com sua taxa de 4,4 homicídios para cada 100 mil mulheres ocupa a 7ª  colocação, como um dos países de elevados níveis de feminicídio;

•      como aponta o Relatório acima mencionado, altos níveis de feminicídio frequentemente vão acompanhados de elevados níveis de tolerância da violência contra as mulheres e, em alguns casos, são o resultado de dita tolerância;

•      os mecanismos pela qual essa tolerância atua em nosso meio podem ser variados, mas um prepondera: culpabilização da vítima como justificativa dessa forma de violência,

foi a estuprada quem provocou o incidente, ou ela vestia como “vadia”. Nesse processo,

o adolescente vira marginal, delinquente, drogado, traficante. A própria existência de

leis ou mecanismos específicos de proteção: estatutos da criança, adolescente, idoso;

Lei Maria da Penha, ações afirmativas, etc. indicam claramente a desigualdade e

vulnerabilidade real desses setores;

•      se no ano seguinte à promulgação da Lei Maria da Penha, em setembro de 2006, tanto

o número quanto as taxas de homicídio de mulheres apresentou uma visível queda,

já a partir de 2008 a espiral de violência retoma os patamares anteriores, indicando

claramente que nossas políticas ainda são insuficientes para reverter a situação.

Não nos resta dúvida que elaboração de estratégias mais efetivas de prevenção e redução

dessa violência contra a mulher vai depender da disponibilidade de dados confiáveis e válidos das condições e circunstâncias de produção dessas agressões. É nesse sentido que deveremos continuar  elaborando nossos estudos, como subsídio às diversas organizações que enfrentam esse problema.

 

Fonte: http://mapadaviolencia.org.br/pdf2012/MapaViolencia2012_atual_mulheres.pdf



Escrito por Ana Frank às 08h49 PM
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