Betancourt e três americanos são soltos pelas Farc, diz Colômbia

A política franco-colombiana Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares colombianos foram resgatados das guerrilhas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) por tropas colombianas, declarou o ministro da Defesa Juan Manuel Santos.
Santos afirmou que todos os ex-reféns estão em estado de saúde razoavelmente bom após anos como reféns na selva colombiana.
"Essa foi uma ação sem precedentes", declarou Santos, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."
Betancourt, os três americanos, três políticos e dezenas de militares e policiais colombianos integravam o grupo de cerca de 40 reféns que a guerrilha propunha trocar por 500 rebeldes presos, após a criação de uma zona desmilitarizada no país.
A franco-colombiana foi seqüestrada em 2002, quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência. Ela foi vista pela última vez em um vídeo da guerrilha divulgado no ano passado, onde aparecia abatida e doente.
A imagem do vídeo e boatos de que ela estaria com uma série de doenças desencadearam uma pressão da comunidade internacional e do governo francês pela libertação de Betancourt.
O resgate foi realizado em uma zona de floresta do Departamento de Guaviare, no sudoeste da Colômbia, de acordo com Santos.
"Seguiremos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Fazemos um chamado aos atuais líderes das Farc para que não matem, liberem os outros seqüestrados e não sacrifiquem seus homens", declarou o ministro.
Farc
Os americanos --três funcionários do Departamento de Defesa dos EUA-- foram capturados em 2003, após o pequeno avião em que estavam cair na floresta. Eles participavam de uma operação de erradicação de campos de cultivo de coca no país.
Estima-se que na Colômbia há hoje pouco mais de 3.000 seqüestrados, sendo que alguns estão em cativeiro há mais de dez anos.
Fonte: Folha online
Escrito por Ana Frank às 07h27 PM
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Descriminalização do aborto volta
a ser discutida na Câmara
Claudia Andrade De Brasília
Um tema que já tramita há 17 anos no Congresso será submetido a uma nova rodada de debates. O projeto de lei 1.135, de 1991, que descriminaliza o aborto provocado pela própria gestante ou com o seu consentimento, volta a ser discutido em audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara nesta quarta (2)e também amanhã.
No último dia 24, o presidente da comissão, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) leu seu relatório contrário ao projeto. Vários deputados pediram para analisar a proposta antes da votação. A partir daí foram marcadas as audiências para debater o assunto, que gera polêmica entre parlamentares e representantes da sociedade civil e de movimentos religiosos.
O projeto de lei, de autoria dos ex-deputados Eduardo Jorge e Sandra Starling, suprime o artigo 124 do Código Penal, que determina pena de 1 a 3 anos de detenção para quem "provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque". Outro projeto (176, de 1995), este do deputado José Genoino (PT-SP), prevê a liberdade de escolha da mulher e estabelece ainda que os hospitais públicos sejam obrigados a realizar o aborto. As duas matérias tramitam em conjunto na Câmara.
Para Gilda Cabral, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), as manifestações contrárias não significam a derrota do projeto. "Eu sou uma ferrenha defensora do legislativo e acho que os deputados têm muito mais sabedoria do que a chacota toda que fazem às vezes", afirma.
"Não adianta o aborto ser crime, se as mulheres continuam fazendo e colocando sua vida em risco. Quando se legaliza o aborto, o governo assume a responsabilidade de oferecer assistência médica de saúde para as mulheres", continua. "A sociedade precisa discutir isso. Quem vai resolver é a sociedade, não o voto dos deputados."
Projetos paralelos
A matéria que descriminaliza o aborto é a principal sobre o tema, mas não a única. No final de maio, a Comissão de Seguridade Social da Câmara rejeitou o texto do ex-deputado Wigberto Tartuce que permite o aborto em caso de estupro por parentes e outro projeto, do ex-deputado Coronel Alves, que permite a interrupção da gravidez resultante de atentado violento ao pudor. As propostas ainda serão analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Escrito por Ana Frank às 01h14 PM
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