A morte e ressurreição!
Por que choramos ao nascer?
Por que choramos ao morrer?

A morte é uma palavra feminina tão forte e decidida quanto a Maria L Santos, acho que as duas estavam discutindo sobre o dia que ela escolheu para morrer pois sempre dizia: “Este é o ultimo Natal que vou passar com vocês”. Danada deu tanto sinal que ia partir, mas nós pobres mortais não conseguimos entender sua plenitude. Agora o vazio toma conta da minha alma seu quarto suas coisas a cachorra já não entra mais em seu quatro, sabe que ela não esta mas presente entre nós. Maria como tantas Maria batalhadoras e sonhadoras já que no seu tempo de menina moça não existia a ditadura da beleza, sim ela era muito linda e consegui levar até seus últimos dias esta beleza verdadeira sem artifícios esta beleza de uma mulher que sonhou em viver num mundo melhor e acreditava no amor Em nenhum momento triste de sua vida desistiu nem perdeu a fé sempre confiou e fez o melhor que pode para suas filhas. Cheia de vida e sonhos adorava músicas e festa muito vaidosa sempre bem arrumada e cheirosa. Com os homens não foi muito feliz, mas também não desistiu casou varias vezes, mas sempre dizia que o homem era um mal necessário. Suas filhas eram bem diferentes uma das outras, pois o comum era a mãe não o pai o que fazia de sua família uma salada mista de pátrias. Seu último pedido cantar uma musica regional que no tempo que era menina se cantava nos enterros.
Adeus meu Pai eu vou Partir
Os Anjos me chamam
Eu não posso ficar!
Maria agora virou energia esta em nossos corações em nossas almas em nossas vidas.
Vai Maria vai ser Guerreira em sua nova morada.
Tudo aquilo que é amamos com o coração
Nunca se vai para sempre!
Assim Seja
AWÉN!
Escrito por Ana Frank às 12h13 AM
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Os presságios da Morte!

Maria Laurentina dos Santos
16/04/1916
25/12/2005
Uma figura macabra e ossuda que detêm os fios da vida de cada um ninguém quer ser sua amiga ,ninguém quer falar seu nome ,ninguém quer pensar nela, mesmo sabendo que um dia iremos nos encontrar e estar lado a lado sem nenhuma máscara ali fria deitada na maca sobre um saco de plástico com zíper fazendo barulho que ainda esta presente aos meus ouvidos .Não sei se foi o mais triste a notícia ou o cheiro ocre da morte adentrando todos os meus sentidos naquela madrugada fria havia mais 3 cadáveres à espera de seus entes queridos o olhar cansado e distante da médica que me acompanhou até ao ultimo ritual do ser humano a sua ultima morada o caixão. Foram os minutos mais longos ali tristes em um ímpeto, sai da sala meus pulmões param de respirar por um minuto olho aquele corredor extenso e sinto uma onda de calor percorrer meu corpo, foi muito longo conseguir chegar ao elevador, varios vultos me acompanhavam entre crianças idosos e jovens todos tristes aquele som ensurdecedor de choro o cheiro o peso nas pernas o pesadelo se instalara em minha mente já não sabia o que era real ou imaginário. O difícil foi entrar no elevador sozinha e carregar todos aqueles vultos em meu ser, até chegar no 2 andar foi uma eternidade. A morte é um mal necessário para passar desta para melhor o que seria dos idosos e os doentes terminais.
Escrito por Ana Frank às 12h09 AM
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TODAS AS VIDAS (CORA CORALINA)

Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando pra o fogo. Benze quebranto. Bota feitiço... Ogum. Orixá. Macumba, terreiro. Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho, Seu cheiro gostoso d’água e sabão. Rodilha de pano. Trouxa de roupa, pedra de anil. Sua coroa verde de São-Caetano.
Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola. Quitute bem feito. Panela de barro. Taipa de lenha. Cozinha antiga toda pretinha. Bem cacheada de picumã. Pedra pontuda. Cumbuco de coco. Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária. Bem linguaruda, desabusada, sem preconceitos, de casca-grossa, de chinelinha, e filharada.
Vive dentro de mim a mulher roceira. – Enxerto da terra, meio casmurra. Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão. Bem parideira. Bem criadeira. Seus doze filhos. Seus vinte netos.
Vive dentro de mim a mulher davida. Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada... Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim: Na minha vida a vida mera das obscuras.
Escrito por Ana Frank às 11h47 PM
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